SUGESTÕES DE FILMES

Todos os títulos se encontram disponíveis em VHS e DVD


E se fosse verdade

Título original: Just like heaven / Direção: Mark Waters

 

Elizabeth (Reese Witherspoon) é uma jovem médica dedicada à sua profissão ao extremo. Ela não tem tempo para sair, namorar e quase não convive com a própria família.

Um trágico acidente, porém, interrompe brutalmente sua promissória carreira. É nesse momento, quando a vida de Elizabeth sofre uma violenta pausa, que surge David (Mark Ruffalo).

Depressivo e inconsolável desde a morte da esposa, ele aluga o apartamento em que Elizabeth vivia. Ou melhor, ainda “vive” e não gosta nadinha da idéia de “dividir” seu cantinho com o novo locatário.

A “presença” de Elizabeth é notada apenas por David que inicialmente custa a crer que não se trata de uma mera alucinação. Por outro lado, ela demora a acreditar que não está concretamente habitando sua própria casa.

É claro que a hostilidade inicial é substituída pela atração mútua e pelas mudanças que o convívio forçado entre eles acarreta. Previsível? Sim, porém adorável.

O enredo desenvolve-se com humor e suavidade, sem perder o ritmo.

A existência da alma e a comunicabilidade com os espíritos são temas tratados com naturalidade, enfocando com sutileza, inclusive, a questão da eutanásia.

Eis aí um filme que nos permite sair do cinema suspirando, leves e alegres, acreditando, ainda, na possibilidade de finais felizes.


Kely Cristina Laurentino

 


Em busca da terra do nunca

Título original: Finding Neverland / Direção: Marc Foster

 

Baseado na vida de James M. Barrie – o criador de Peter Pan, o filme narra com imaginação e poesia a trajetória de seus personagens. Barrie (Johnny Depp), escritor renomado, está passando por uma fase difícil, vítima de um surto de mediocridade que contamina sua produção literária.

Sua última peça teatral foi um retumbante fracasso de crítica. Seu relacionamento com a esposa também “não está lá essas coisas”, já que eles mal se falam e pouco têm em comum.

E, para complicar, ele precisa escrever, e logo, uma nova peça, para honrar o compromisso assumido com o seu “agente” (Dustin Hoffmann). Inspiração que é bom, nada!

A reviravolta se dá quando Barrie conhece, por acaso, uma jovem viúva (Kate Winslet) e seus espirituosos filhos. Desde o primeiro encontro ele se encanta com aquela família e a envolve com suas histórias mirabolantes e sua atenção desinteressada.

O convívio e a admiração faz com que uma forte amizade surja entre eles e, assim, a influência que cada um dos personagens exerce sobre os demais demonstra como é possível para cada ser transformar/tocar a vida dos outros.

A atuação de Johnny Depp – como de costume – é impressionante. Ele é convincente quando veste um “smocking” e faz ares de senhor respeitável, tanto quanto vestido de pirata, com o rosto marcado por inúmeras cicatrizes.

Muito do encanto do filme, porém, decorre da performance primorosa do pequeno elenco – destaque para o ator-mirim que personifica Peter. Sua incredulidade e sua melancolia comovem até o mais empedernido dos corações – o que falar do meu que é feito de manteiga!

Os efeitos especiais, hábeis em tornar a imaginação de Barrie tangível para os demais mortais, são um espetáculo à parte.

Não espere um conto de fadas, espere sim uma história emocionante sobre não se contentar com o lugar comum e sobre a coragem de ver o mundo com outros olhos.


Kely Cristina Laurentino

 


Os Outros

Título original: The Others / Direção: Alejandro Amenábar

 

Depois do final da segunda guerra mundial, Grace (Nicole Kidman) mora com seus filhos, Anne (Alakina Mann) e Nicholas (James Bentley), em uma confortável e isolada mansão, enquanto aguarda o retorno de seu marido, desaparecido em combate.

Apesar do aparente conforto material de que goza, sua rotina diária não é nada fácil.

As crianças sofrem de uma rara e fatal doença que os impede de ter contato com a luz do sol, obrigando Grace a desenvolver mil e uma estratégias para garantir que a casa permaneça às escuras noite e dia, no afã de protege-los.

A jovem mãe, determinada e muito religiosa, cuida da administração da casa e da educação dos filhos que, em virtude da doença, não podem sequer freqüentar a escola.

Além disso, há algo muito estranho no ar.

Todos os empregados abandonam misteriosamente a casa, razão pela qual Grace contrata três novos auxiliares: Mrs. Mills (Fionnula Flanagan), a governanta, Mr. Tuttle (Eric Sykes), o jardineiro, e Lydia (Elaine Cassidy), uma jovem muda muito esquisita e apavorada.

Coincidência ou não, depois da chegada dos novos empregados 'coisas' estranhas começam a acontecer: portas e cortinas se abrem e fecham sozinhas, há vozes, sons variados e choro de criança em peças aparentemente vazias.

De quebra, a pequena e corajosa Anne garante que pessoas estranhas estão circulando pela casa. Pessoas que ela não conhece e que não têm autorização de sua mãe para ali estarem.

São 'os outros' que parecem ignorar deliberadamente a disposição firme de Grace no sentido de que aquela é a sua casa e de seus filhos.

O filme é eletrizante. O final, inesperado.

Os sustos e arrepios são garantidos, não só pela trama, como também pelas cenas lentas e escuras, que pouco mostram, mas que insinuam muito, sem jamais caírem nos clichês mais comuns do gênero.

Destaque especial para a ótima atuação das crianças e para os efeitos sonoros capazes de fazer criaturas como eu pular da poltrona e pensar duas vezes antes de entrar no quarto sem acender a luz.

Por fim, há espíritos?

Sim, e como diriam a Kardec, eles são as almas dos homens que viveram na terra. Estão em toda parte e nem sempre se dão conta de que não mais estão encarnados.

Assista.

 

Por: Kely Cristina Laurentino Silveira