ANOTAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DO MOVIMENTO ESPÍRITA NO ESTADO DE ALAGOAS

INFORMES DO JORNALISTA ADERBAL DE ARECIPO

 

 

      

       A Federação Espírita do Estado de Alagoas foi fundada em 06 de janeiro de 1908. Desta data até 1928 não se colheram informes ou elementos. O jornalista Aderbal de Arecipo traz em suas recordações fatos que se desenrolam a partir de 1930. Nesse primeiro período ( 1908 – 1928 ) parece ter havido um arrefecimento das atividades espíritas.

       Em 1930 foi fundada a ALIANÇA ESPÍRITA ALAGOANA, associação de caráter federativo, que teve a sua denominação sugerida pelo então Presidente da FEB, DR. Guillon Ribeiro, com o qual o Aderbal de Arecipo passou a trocar correspondência. A Aliança foi filiada a FEB, recebendo o respectivo Certificado de Adesão.

       A Aliança chegou a ter três diretorias. A primeira Diretoria contou com um presidente jovem, eleito com a principal tarefa de procurar o congraçamento ou a junção dos vários Grupos ou Centros. A segunda teve, como presidente Juca Cardoso. A terceira, não se tem memória (talvez Eurides). Naquele tempo, a FEB tinha em cada Estado uma Delegação, com três membros: os confrades Pedro Correia, José Cardoso Marques e Eurípedes Tenório de Lima. Desses  quem se carteava com o Guillon Ribeiro era o Pedro Cardoso. Em pouco tempo, a Aliança desenvolveu várias atividades profícuas, dentre as quais visitas fraternas aos centros da capital, constituindo, assim, os primeiros esforços em prol da unificação do Movimento espírita em Maceió.

       Após um longo espaço, volta a Maceió, procedente de Salvador, o conceituado espírita José Joaquim de Lima e senhora. Logo ao chegar, o Sr, Lima fez publicar pela imprensa um Convite a todos os espíritas para a reestruturar-se a Federação Espírita de Alagoas. A este ato estiveram presentes grande número de espiritistas de Maceió. Junto à Federação foi criada a Caixa de Previdência, também de iniciativa do Sr. Lima a qual contou como Presidente o conhecido Professor Jaime de Altavilla.

Segundo o nosso querido Aderbal, as décadas anteriores puderam contar com ilustres e intelectualizados doutrinadores bem como dirigentes bem como dirigentes de reunião mediúnicas. Tivemos homens como Dr. Barbosa Júnior, Dr. Teodoro Palmeira, Dr. Januário carvalho, Pedro Barreto, Dr. Fernando Malta de Campos, Cel. Manoel Zeferino dos Santos, Francisco G. Fialho, Joaquim Paranhos, José Cardoso Marques, Erasmo Porangaba, Lafayette Belo, Pedro Correia, Américo Pereira da Silva, Eurípedes Tenório de Lima, Flósclo Ferreira. Grandes dirigentes de sessões mediúnicas: Alípio Carvalho, Pedro Barreto. Pedro Barreto era um “peso muito pesado”. Quando falava, sempre muito manso, tinha-se a impressão que ele não teria nada a dizer. Mas, com aquela lentidão, seria capaz de falar mais de uma hora, exprimindo conceitos e convicções admiráveis.

       No campo da mediunidade, tivemos grandes valores: Joathan Araújo, médium falante e receitista dos melhores. D. Argemira T. de Freitas, falante e receitista. D. Quininha Soares, outro médium falante admirável. Professora Isabel Chaves, médium falante e bibliotecária do Centro Espírita Alagoano Melo Maia. Admirável como vidente, auditiva, falante, receitista, foi D. Noemi Lício, além de sua extraordinária participação na fundação do Lar São Domingos. Outra médium vidente, auditiva e falante foi a Profª Adelaide Ferreira. Outros trabalhadores: Zilda da Silva Castro, seu esposo, Teodoro de Castro. Antonio Teles de Carvalho, doutrinador muito ativo entusiasta. Manteve uma polêmica pela imprensa, com um padre ilustre, da qual resultou, para o Telles, uma grande provação, pois viu-se obrigado a sair do Banco onde trabalhava, como contabilista, isso porque o presidente era grandemente ligado ao Clero Alagoano. Registre-se, ainda, outra médium falante, D. Joaninha Melo, sogra de Erasmo Porangaba. Outro doutrinador, Sebastião Ramos, presentemente residindo em Maceió, vindo do Rio de Janeiro, onde residiu por muitos anos. Leopoldo Pereira realizou um trabalho Extraordinário em prol da construção do prédio onde funciona, hoje, a Sociedade Espírita Discípulos de Jesus. Semanalmente, o Leopoldo saia de porta em porta, pedindo dinheiro para a construção. Trazia debaixo do braço um espécie de cofre de metal, onde ia depositando as contribuições conseguidas. Quase às próprias custas, mantinha um jornal mensal, denominado “A PROPAGANDA”, com divulgação de matérias espíritas.

       Um homem admirável foi Francisco Fialho, que desencarnou contado somente 44 anos. Com seus próprios recursos, matinha o jornal semanal “A LUZ”, que saía aos sábados, de suas próprias oficinas, na Praça Rayol. Na parte térrea do prédio funcionava a escola para crianças pobres “Santo Ambrósio”.No primeiro andar, funcionava o Grupo Espírita Dr. Antonio Manoel da cruz, igualmente mantido pelo Fialho. Funcionava às terças, quintas e sábados, com reuniões doutrinárias e mediúnicas, estas últimas, aos sábados. Segundo informes, o Fialho sozinho fazia a festa, como evangelizador, e dos melhores; como dirigentes das sessões mediúnicas e como doutrinador. Fialho tinha um escritório de representações. Sabe-se que em 1926 caiu uma tromba d’água levando o horror à gente pobre de Jaraguá e do Poço, naquela ocasião, Fialho representava uma grande charqueada e acabara de receber uma grande partida do produto para fornecimento ao comércio. Entretanto, pela madrugada, logo depois da tromba D’água, esteve Fialho, sem sapatos, de calças arregaçadas, distribuindo com toda aquela pobreza, pedaços de “carne do ceará”, esgotando, rapidamente, todo o seu estoque.

       Como psicógrafo, no início Fialho recebia comunicações do Dr. Manoel Antônio da Cruz. Teve longa atuação no “Melo Maia” e no “União Espírita”.

       Leopoldo Pereira tinha também grande participação no “Melo Maia”, embora tenha sido extraordinária a sua participação no “Discípulos de Jesus”, na edificação de sua sede. Também no “Discípulos de Jesus” há que se destacar a laboriosa atuação do confrade Eurípedes, inclusive como presidente da Instituição. São inesquecíveis as reuniões das 16 às 18 horas, nos dias de Finados, onde se desenvolviam temas como: “Os mortos vivem, não choreis”. Essas pregações atraiam a muitos dos que passavam  em demanda dos cemitérios.

       As recordações do Aderbal Ainda nos levam a outros nomes que marcaram o Movimento Espírita em nossa  Estado. D. Virgínia de Gusmão, conhecida por Dona Pio, fundadora do Grupo Espírita Amantes da Pobreza, a que, depois se deu o nome de Francisco Fialho. Licurgo Chaves, orador de timbre de voz inigualável. Era uma voz musicalizada. Uma dádiva da natureza. Há que se recordar o João Fabrício de Souza, que fundou em sua residência o Grupo espírita Erasto em 10 de outubro de 1910. Zanelli Caldas, que foi um dos destaques do Espiritismo em Alagoas, era jornalista, literato, escritor.

       Essas foram algumas lembranças que o Aderbal nos deixou acerca dos primórdios do Movimento Espírita no Estado de Alagoas.